Deve vir de perto… De um olhar que se cruza De um sentimento que desperta Dos romances que viram poesias Das poesias que viram canções Das canções que inflamam um coração
Vem do desejo que quer ser real Vem da vontade que se perde num beijo Vem da coragem que move o covarde Vem das folhas que caem no chão
E vem da chuva que molha a grama Da flor que ainda vai desabrochar Do casulo que guarda um segredo De um ovo pronto a chocar
De onde vem o amor ?
Deve vir de bem longe … Daquilo que está além do horizonte Daquilo que os olhos não vêem Daquilo que a razão não explica Daquilo que não se pode desenhar Daquilo que não se sabe escrever De uma língua que não se sabe traduzir …
De onde vem o amor ?
Vem de um lugar escondido ou tão perto que não se vê …
Prenda-me Se for capaz De seduzir Meu lado lunar Que em fases Troca em metades De negro pra branco Meu sol que pulsa em Lençóis e hiatos Há ecos retumbando Em faróis de meus eclipses E em minhas crateras Há fases nuas Sem luz ou figuras Onde me escondo Entre nuvens escuras Não me vês Apenas sentes O clamor alucinante De meus olhos ardentes Por isso, Não me veneres Pois que sou reles Lua com sintoma bipolar
Há tanta vida lá fora ... e eu aqui parada sem nada para dizer (falar) olhando o tempo passar ... esperando a melhor hora (minha hora) para soltar minha voz para alçar vôo a liberdade antes que em mim tudo anoiteça ...
Há tanta vida lá fora ... e eu aqui retalhando idéias desencontradas em ordem crescente sem poder subir as montanhas para conhecer aldeias ... sem admirar o mar navegante sob as ondas calvas da memória antes que de mim tudo desapareça ...
Há tanta vida lá fora ... e eu aqui obedecendo ordens de cabeça baixa para o nascente de pés presos pára o poente acordando meio aos trovões adormecendo com a tempestade ancorando no porto da minha solidão antes que em mim tudo feneça ...
Há tanta vida lá fora ... e eu aqui obcecada por tabus por preconceitos que os homens criaram para depois, apunhalar pelas costas, como inimigos numa guerra cotidiana como forasteiros em busca do sol ... numa estrada pontilhada de estrelas antes que em mim tudo amanheça ...
Há tanta vida lá fora ... e eu aqui colhendo lembranças colecionando segredos dilatados afundando-me em paranóias ... sem infringir nenhuma lei apenas, resguardando vestígios, de um temporal esquecido na noite antes que em mim tudo esmoreça ...
Há tanta vida lá fora ... e eu aqui entediada em grades a prender minha estatura ... onde amofino minha inteligência onde recuo diante do medo de crescer, prosperar, criar sonhos ... Onde está a criança de mim ? antes que em mim tudo amorteça ...
Há tanta vida lá fora ... e eu aqui incoerente comigo mesma inventando histórias esfarrapadas tentando quebrar o gelo dos pulsos deslizando em neves o pensamento rompendo laços com o passado embriagando-me com o néctar das flores ... antes que em mim tudo enlouqueça ...
Há tanta vida lá fora ... e eu aqui...
Completamente perdida ! Será preciso ficar só para entender a realidade das coisas mais simples da vida ? Para emergir dentro de si fantasmas e pesadelos ?
Às vezes, creio na luz divina que tudo abençoa, No mistério que se esconde por traz da vida antes que em mim tudo de estranho mereça ...
Se eu disser prá você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair para compras e reuniões — se eu disser que foi assim, o que você me diz ?
Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como ?
Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza : nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém.
Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma.
Não sorriu hoje ? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa ? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal.
Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão.
Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa.
Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou com si mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente — as razões têm essa mania de serem discretas.
“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down...”. Lembra da música ? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega.
Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara.
“Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música.
Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais.
Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinicius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for.
Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip hop, nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar.
Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor — até que venha a próxima, normais que somos.
As mulheres ... não se definem apenas pela carga do sexo que carregam.
A mulher é um mundo único, eterno, de força, paixão, amor, sensualidade e poder.
Toda mulher tem no seu íntimo uma magia própria de fazer acontecer, de dar um jeito, de dar o peito. dar um colo ... fazer bem feito.
Toda mulher traz na alma a força dos ventos, o fascínio de um cavalo selvagem, a sensibilidade de uma flor, que sente, pressente, intui ... se abre no momento certo e exala seu perfume.
Ela galopa contra o vento, enfrenta tormentas, carrega consigo suas mágoas e as dissipa no ar.
Tem a alma leve, apaixonada ... não abandona o que acredita por nada. Tem medo, tem asas, preza sua liberdade, divide com aquele que acredita sua vida, seu amor e sua alma.
Não me peça coerência, Eu sou pura emoção. Tenho razões e motivações próprias, Sou movido por paixão, Essa é minha religião e minha ciência. Não meça meus sentimentos, Nem tente compará-los a nada, Deles sei eu, Eu e meus fantasmas, Eu e meus medos, Eu e minha alma. Sua incerteza me fere, Mas não me mata. Suas dúvidas me açoitam, Mas não deixam cicatrizes. Não me fale de nuvens, Eu sou Sol e Lua, Não conte as poças, Eu sou mar, Profundo, intenso, passional. Não exija prazos e datas, Eu sou eterno e atemporal. Não imponha condições, Eu sou absolutamente incondicional. Não espere explicações, Não as tenho, apenas aconteço, Sem hora, local ou ordem. Vivo em cada molécula, Sou o todo e sou uno, Você não me vê, Mas me sente. Estou tanto na sua solidão, Quanto no meu sorriso. Vive-se por mim, Morre-se por mim, Sobrevive-se sem mim. Eu sou começo e fim. (Desconheço o autor)